Neste artigo, vou abordar a situação financeira crítica por que passam vários clubes europeus e o recente publicado e readequado orçamento do Flamengo para 2021.
Tenho lido bastante sobre as perdas elevadas dos clubes europeus nas duas últimas temporadas e os números são realmente assustadores. Na temporada 2020-21, por exemplo, a Inter de Milão teve um prejuízo de €245,6 milhões, mesmo tendo vendido seu atacante Lukaku por €103 milhões. A Juventus informou uma perda de €210 milhões e o Barcelona de €481 milhões. Este último encontra-se numa situação financeira dificílima, com uma dívida total de €1,35 bilhão para uma receita anual de €631 milhões.

Os clubes de vários países estão pedindo ajuda aos seus governos e às suas ligas para que forneçam linhas de crédito para poderem cumprir com seus compromissos. No caso da English Premier League, a demanda é pela criação de um fundo de liquidez no valor de €1,2 bilhão. Alguns clubes têm tomado recursos a taxas de juros altíssimas (9% a.a.) e entendem que a EPL tem condições de captar recursos em melhores condições e repassá-los aos solicitantes.

Paralelamente e guardadas as devidas proporções, aqui no Brasil a situação não é diferente e vários clubes sofrem com a pandemia, apesar de que a maioria deles já vinha tendo graves problemas financeiros antes dela.

Na semana passada, a diretoria do Flamengo apresentou ao Conselho de Administração a readequação do seu orçamento para 2021. O que significa isso? No final de 2020, foi apresentado e aprovado pelo Coad o orçamento para o exercício de 2021, contendo premissas que a direção do clube entendia serem as mais próximas de acontecer no ano.

Mas algumas delas não se confirmaram da maneira como estavam previstas, para melhor ou para pior, e esta readequação serve para ajustá-las.

Os principais ajustes foram a data de retorno do público aos estádios, a negociação de atletas e algumas captações de recursos.

Apresentado e aprovado pelo Coad, o resultado final se apresentou melhor do que o previsto no orçamento original, principalmente devido a alguns fatores, tais como a gestão de caixa conservadora, a boa performance esportiva (aumento da premiação) e a venda de atletas.

A receita bruta, orçada em R$985 milhões, deverá ultrapassar a casa de R$1 bilhão e o superávit alcançará cerca de R$138 milhões. O saldo em caixa no final de 2021 ficará em torno de R$64 milhões e o endividamento líquido operacional (a informação que todos querem saber) cairá de R$440 milhões no final de 2020 para cerca de R$335 milhões no final deste ano, uma redução relevante de 24%. Vale ressaltar que, deste valor, R$212 milhões referem-se ao Profut, que tem um prazo longo, taxas de juros baixas e amortizações anuais de cerca de R$17 milhões, valor pago confortavelmente. Sem o Profut, a dívida líquida montaria a cerca de R$123 milhões. A relação dívida líquida sobre receitas líquidas recorrentes, que em 2012 era de mais de 4 vezes, alcançará cerca de 0,88 em dezembro de 2021, a melhor relação dentre todos os clubes brasileiros. Como mostram os números acima, os mensageiros do caos vão ter que mudar a pauta no final do ano.

Comparando-se com a situação dos clubes europeus, posso dizer que a gestão financeira e de planejamento do Flamengo, exemplar desde 2013, tem se destacado durante a pandemia. É claro que a pujança do futebol europeu vai retornar em breve e os clubes de lá vão conseguir se recuperar, mas vários com algum sofrimento.

Fico imaginando se tivéssemos no Brasil um ambiente futebolístico atrativo, organizado e profissional. Estaríamos certamente em outro patamar.

Até a próxima!

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